As ações de uma avó da Flórida resultaram em duas tragédias devastadoras, mudando para sempre a vida de sua família.
Em um desfecho doloroso, Tracey Nix foi condenada após a morte de sua neta de apenas 7 meses, que faleceu tragicamente depois de ser deixada dentro de um carro quente por horas em um dia escaldante de novembro de 2022.
A sentença veio após outra perda inimaginável: a morte de seu neto de 16 meses, que também faleceu enquanto estava sob seus cuidados.
Calor intenso do lado de fora
As emoções tomaram conta de um tribunal na Flórida no início deste mês, quando Tracey Nix, de 67 anos, ex-diretora escolar do condado de Hardee, enfrentou as consequências de uma decisão devastadora que levou à morte de sua neta de 7 meses, Uriel Schock.
Na quinta-feira, 3 de abril, Nix descobriu sua sentença em um tribunal de Wauchula, na Flórida. Em janeiro, um júri do condado de Polk a considerou culpada por deixar uma criança desacompanhada em um veículo, mas a absolveu da acusação de homicídio culposo qualificado — crime que poderia resultar em até 30 anos de prisão.
O incidente trágico aconteceu em novembro de 2022. Naquele dia, Kaila Nix-Schock, mãe de Uriel, havia saído para fazer o cabelo e pediu que sua mãe cuidasse da bebê.
Tracey Nix saiu para almoçar com amigas e, segundo as autoridades, deixou Uriel sozinha em um SUV em um dia de 32°C em Wauchula, na Flórida. Com os vidros fechados e o calor sufocante do lado de fora, a bebê acabou perdendo a vida de forma trágica.

Durante a investigação, Tracey Nix disse às autoridades que simplesmente “esqueceu” da neta após voltar para casa depois de um almoço com amigas. Segundo o relatório policial, somente quando um parente chegou à residência ela percebeu que Uriel havia permanecido dentro do carro por horas naquela tarde.
O marido de Tracey Nix encontrou a bebê no banco traseiro do SUV e tentou realizar manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), mas, tragicamente, Uriel não pôde ser salva, informou a WFTS.
Posteriormente, os investigadores determinaram que a causa da morte de Uriel foi hipertermia.
Embora Nix tenha optado por não depor durante o julgamento, ela falou durante a audiência de sentença.
“Eu literalmente esqueci por um longo período de tempo. Estou destruída pelo que aconteceu. Não quero que ninguém pense que estou dando desculpas, porque não estou”, declarou.
Após identificarem a filha no hospital, os pais lembraram do momento em que ficaram no estacionamento tentando compreender o que havia acontecido.
“Pensar nos últimos momentos da vida dela, como mãe, é devastador”, disse Kaila.
“E o fato de isso ter acontecido duas vezes. Na nossa vida”, acrescentou Drew, pai de Uriel.
Já havia acontecido antes
A família de Uriel Schock enfrentou uma dor inimaginável, já que a tragédia não atingiu a família apenas uma vez, mas duas.
Em dezembro de 2021, Ezra Schock, de 16 meses, morreu afogado em um lago próximo à casa da família Nix. Segundo relatos, Ezra conseguiu abrir portas, passar por baixo de uma cerca e sair sozinho enquanto Nix dormia. Embora nenhuma acusação criminal tenha sido apresentada naquele caso — com o Ministério Público afirmando haver “evidências insuficientes para comprovar negligência culposa” — a dor daquela perda permaneceu.
Durante a audiência de sentença, a mãe de Uriel falou entre lágrimas, dirigindo-se diretamente à própria mãe:
“Eu ainda amo você. Odeio tudo isso. Odeio ter que fazer essa escolha, mas você sabe que eu precisava fazê-la. Mas isso não muda o que sinto no meu coração.”

Kaila continuou, deixando transparecer toda a sua dor:
“Não se trata dos meus sentimentos, mas do que eu sei. E o que eu sei é que meu filho se afogou em um dia muito frio no lago deles e morreu sozinho. E eu sei que minha filha morreu em uma tarde escaldante, sozinha.”
O pai de Uriel, Drew Schock, também fez um depoimento comovente, descrevendo a dor e a culpa que ele e Kaila carregam:
“Existem coisas nas quais você nem pensa, e nós, como pais, teremos que conviver com isso pelo resto de nossas vidas. Ela fez isso duas vezes, e o fato de estarmos debatendo se ela merece ou não uma pena de prisão simplesmente não faz sentido para mim.”
Família se manifesta
Apesar de Nix afirmar que estava devastada e de ter buscado tratamento para sua saúde mental após o incidente, o juiz manteve sua decisão.
Ao aplicar a pena máxima de cinco anos, o juiz Brandon Rafool destacou a gravidade das tragédias repetidas:
“Uriel não é um caso isolado. Não acredito que ela esteja demonstrando remorso; acredito que esteja demonstrando tristeza.”
A avó foi condenada a cinco anos de prisão após ser considerada culpada por deixar uma criança desacompanhada em um veículo. No entanto, ela foi absolvida da acusação mais grave de homicídio culposo qualificado.
Após a sentença, Drew Schock, pai de Uriel, falou à Fox 13 e expressou sua profunda tristeza pela perda dos filhos e pelo impacto que a tragédia terá sobre sua família:
“Vamos conviver com isso pelo resto de nossas vidas… Meu filho vai crescer sem o irmão e sem a irmã. E, para mim, esses cinco anos… isso é justiça? Não, na verdade não.”
O marido de Nix, Nun Ney Nix, saiu em sua defesa, afirmando que ela vinha sofrendo em silêncio e havia passado a evitar sair de casa. No entanto, ao tomar sua decisão, o tribunal levou em consideração as duas perdas consecutivas que ocorreram enquanto as crianças estavam sob seus cuidados.
Tracey Nix, que trabalhou como educadora nas escolas do condado de Hardee por quase 40 anos, era muito respeitada por sua atuação na área da educação. Porém, os acontecimentos trágicos acabaram ofuscando sua longa carreira.
O caso também trouxe novamente à tona os perigos de deixar crianças dentro de carros, especialmente em regiões de clima quente.
40 crianças morreram em carros quentes no ano passado
Segundo a organização Kids and Car Safety, entre 1990 e 2024, pelo menos 1.125 crianças morreram tragicamente em veículos superaquecidos nos Estados Unidos. Além disso, outras 7.500 sobreviveram, mas sofreram diferentes níveis de lesões. Somente no ano passado, 40 crianças perderam a vida em incidentes desse tipo no país.
Os registros da organização mostram que, em 56% dos casos fatais, a criança foi deixada no veículo de forma acidental. A maioria das vítimas tinha três anos ou menos. Essas mortes geralmente são causadas por insolação ou hipertermia, condição que ocorre quando o corpo superaquece e não consegue se resfriar adequadamente.
“A maioria dos pais e responsáveis está mal informada e acredita que uma tragédia envolvendo um carro quente jamais acontecerá com eles”, afirma a organização em seu site.
“Em mais da metade das mortes em carros quentes, a pessoa responsável pela criança a deixou no veículo sem perceber. Na maioria dos casos, isso acontece com pais amorosos, cuidadosos e protetores. Já aconteceu com professores, dentistas, assistentes sociais, policiais, enfermeiros, líderes religiosos, militares e até mesmo cientistas da área espacial. Isso pode acontecer com qualquer pessoa.”
O Dr. David Diamond, professor de psicologia da Universidade do Sul da Flórida, explicou à NBC San Diego como é possível esquecer uma criança no banco traseiro do carro:
“Temos um poderoso sistema de memória em piloto automático que nos leva a realizar tarefas automaticamente e, nesse processo, perdemos a consciência de outras coisas que estão em nossa mente, incluindo o fato de haver uma criança no carro.”
Para ajudar a evitar tragédias como essa, a Kids and Car Safety recomenda que os pais mantenham seus veículos sempre trancados para impedir que crianças entrem ou fiquem presas dentro deles acidentalmente.
Outro hábito importante é verificar o banco traseiro toda vez que sair do carro. Especialistas sugerem deixar um item indispensável, como carteira, bolsa ou chaves, no banco de trás, obrigando o motorista a conferir a área antes de deixar o veículo.
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