Enfermeira de cuidados paliativos revela as piores e as melhores doenças para morrer

Para a maioria de nós, a morte é algo em que tentamos não pensar — até sermos obrigados a encará-la. Mas, para a enfermeira de cuidados paliativos Julie McFadden, ela faz parte do dia a dia.

Depois de anos acompanhando pessoas em seus momentos finais, essa enfermeira da Califórnia já viu de tudo e agora está revelando quais doenças causam mais sofrimento no fim da vida e quais podem proporcionar uma despedida muito mais tranquila.

Julie McFadden é uma experiente enfermeira de cuidados paliativos que já acompanhou mais de 100 pacientes durante seus últimos dias. Suas reflexões cruas e sem filtros sobre a morte repercutiram profundamente na internet, especialmente entre pessoas que já viram entes queridos enfrentarem o doloroso impacto de uma doença terminal.

A pior forma de morrer

Se há uma doença que McFadden não hesita em considerar a pior, é a ELA — também conhecida como doença de Lou Gehrig.

“Esta é a morte mais cruel que já vi”, disse Julie ao Problem Solved no ano passado.

E não é difícil entender o motivo. A ELA paralisa lentamente todos os músculos voluntários do corpo. Com o tempo, os pacientes perdem a capacidade de se mover, falar, engolir e, eventualmente, até mesmo respirar. Mas o que torna a doença especialmente trágica é que a mente permanece lúcida. As pessoas ficam presas em um corpo que está falhando, plenamente conscientes do que está acontecendo.

“Ver alguém que você ama se apagar dessa forma, sabendo que essa pessoa ainda está ali? É devastador”, escreveu uma internauta nos comentários, ao relembrar a luta de seu pai contra a doença.

Instagram / Julie McFadden

Até 2030, estima-se que 36.300 pessoas nos Estados Unidos receberão o diagnóstico de ELA. Embora ainda seja considerada uma doença relativamente rara, ela progride rapidamente — metade das pessoas diagnosticadas com doença do neurônio motor (DNM) morrerá dentro de 14 meses após o diagnóstico.

A condição é sempre fatal e, atualmente, não existe cura. No entanto, o tempo de progressão varia bastante — algumas pessoas pioram rapidamente em questão de meses, enquanto outras podem viver vários anos após receberem o diagnóstico.

A usuária do TikTok Jessica Weiser também comentou no podcast: “Eu sabia que ela diria ELA. Perdi meu pai para a doença, foi a coisa mais cruel que já testemunhei.”

“Meu cunhado faleceu de ELA no ano passado. Uma doença horrível”, compartilhou a internauta JZ.

Outra ouvinte também comentou: “Minha avó tem ELA. É a pior coisa ver sua saúde se deteriorando. Não desejaria isso a ninguém.”

Outra doença brutal: o glioblastoma

A segunda doença mencionada por McFadden é o glioblastoma, uma forma agressiva de câncer cerebral que avança rapidamente e tem efeitos devastadores.

“Ele tira tudo de você — sua memória, suas habilidades motoras, sua personalidade”, diz McFadden. “E faz isso rapidamente.”

Esse câncer é conhecido por seus sintomas assustadores: convulsões, perda de memória, confusão e dores de cabeça insuportáveis. A maioria dos pacientes morre em até um ano e meio após o diagnóstico. Familiares frequentemente dizem que é como assistir alguém desaparecer em tempo real.

Em média, as pessoas diagnosticadas com glioblastoma vivem entre 12 e 18 meses. Apenas 1 em cada 4 pacientes ultrapassa a marca de um ano, e menos de 5 em cada 100 sobrevivem por mais de cinco anos.

Uma mulher compartilhou nas redes sociais: “Ele se foi antes de morrer. É isso que torna tudo tão difícil.”

Surpreendentemente tranquila

Por outro lado, McFadden afirma que a insuficiência renal em estágio terminal pode proporcionar uma das formas mais tranquilas de morrer — especialmente quando a diálise é interrompida intencionalmente como parte dos cuidados de fim de vida.

“Quando os pacientes param a diálise, geralmente apenas começam a ficar sonolentos. E então não acordam mais”, explica ela. “É tranquilo. Não causa dor. E permite que as famílias tenham tempo para se despedir.”

Para muitos, ter a chance de controlar esse processo — cercado de amor e sem dor — é um presente. Uma pessoa comentou: “Colocamos música, seguramos a mão dele, e ele simplesmente se foi. De certa forma, foi bonito.”

A usuária Miharty concordou: “Meu pai faleceu devido a uma doença renal em estágio avançado. Ele parou a diálise quando sentiu que estava pronto para partir. Todos nós tivemos a chance de nos despedir, nos termos dele. Ele já estava pronto.”

Por que isso importa

As histórias de McFadden não são apenas sobre fatos médicos. Elas falam sobre dignidade, conforto e humanidade no capítulo final da vida.

À medida que os americanos continuam debatendo como tratamos os idosos e os pacientes com doenças terminais, conversas como essas se tornam mais importantes do que nunca. Profissionais de cuidados paliativos, como McFadden, muitas vezes são os únicos dispostos a falar abertamente sobre como a morte realmente acontece — e sobre como podemos tornar esse processo melhor.

No fim das contas…

A morte é inevitável, mas nem todas as mortes são iguais. Do sofrimento silencioso da ELA à rápida e caótica progressão do glioblastoma, passando pela rara tranquilidade associada à insuficiência renal, a mensagem de Julie McFadden é clara: a forma como morremos importa.

E, com o apoio certo, até mesmo as despedidas mais difíceis podem ser repletas de amor.

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