O que acontece se você sobreviver à pena de morte? Christa Pike segue viva após duas injeções

O que acontece quando alguém sobrevive à própria execução?

Essa é a extraordinária questão que agora envolve Christa Pike, depois que o Tennessee administrou duas rodadas de medicamentos para injeção letal — e, ainda assim, ela permaneceu viva.

Christa Pike, de 50 anos, passou cerca de três décadas no corredor da morte antes de ser levada à câmara de execução da Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995.

Segundo registros históricos, ela se tornaria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de dois séculos.

Mas, após receber duas rodadas de medicamentos para injeção letal, Pike não morreu.

Em vez disso, ela foi levada para uma unidade médica fora da penitenciária, segundo um porta-voz do Departamento de Correção do Tennessee citado pela NBC News. Posteriormente, seus advogados confirmaram que ela estava recebendo tratamento em um hospital, embora tenham afirmado que ainda não sabiam qual era seu estado de saúde.

A execução começou pouco depois das 19h26 do dia 30 de setembro, mas as testemunhas logo perceberam que o procedimento não estava ocorrendo como esperado.

Então, por volta das 19h34, Pike teria dito:

“Parece que meu braço vai estourar.”

Em seguida, perguntou:

“Isso acontece assim mesmo?”

A cortina acabou sendo fechada, impedindo que as testemunhas vissem o que estava acontecendo lá dentro — mas algumas disseram que ainda conseguiam ouvir Pike respirando e emitindo sons semelhantes a roncos.

Mais de duas horas depois de as testemunhas entrarem na câmara, uma ambulância foi vista deixando a prisão com as luzes de emergência ligadas.

Pike havia sobrevivido.

Ela foi levada para um hospital fora da penitenciária depois que seus advogados solicitaram atendimento médico imediato. Posteriormente, eles afirmaram que a execução havia “fracassado”.

Mas o que aconteceu depois pode ser ainda mais complicado.

O protocolo de execução do Tennessee permite uma segunda rodada de medicamentos para injeção letal caso o detento não seja declarado morto após a primeira.

Pike recebeu essa segunda rodada.

E ainda assim sobreviveu.

No entanto, o protocolo do estado não especifica o que as autoridades devem fazer caso as duas rodadas falhem.

O Tennessee suspendeu agora todas as execuções restantes programadas para este ano enquanto uma investigação independente analisa exatamente o que aconteceu.

Por enquanto, Pike continua condenada à morte, mas não há uma nova data marcada para sua execução.

Espera-se que seus advogados contestem qualquer nova tentativa de cumprir a sentença, possivelmente levantando argumentos constitucionais sobre se outra tentativa de execução configuraria punição cruel e incomum.

Um pequeno número de casos

Há um pequeno número de casos na história dos Estados Unidos em que uma tentativa de execução fracassou e o prisioneiro sobreviveu. O que aconteceu depois variou consideravelmente de acordo com cada caso e com as decisões judiciais.

Veja alguns dos exemplos mais claros:

Willie Francis — sobreviveu uma vez e foi executado um ano depois

Um dos casos mais famosos envolveu Willie Francis, na Louisiana. Em 1946, o estado tentou executá-lo na cadeira elétrica, mas o equipamento aparentemente havia sido instalado de maneira incorreta. Francis recebeu uma forte descarga elétrica, mas sobreviveu.

Ele foi levado de volta ao corredor da morte enquanto seu caso tramitava nos tribunais. Em 1947, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que executá-lo uma segunda vez não violaria a proteção constitucional contra dupla punição pelo mesmo crime.

Um ano e seis dias após a tentativa fracassada, Francis foi novamente colocado na cadeira elétrica e desta vez executado. Ele tinha apenas 17 anos na ocasião da segunda execução.

Doyle Hamm — sobreviveu e nunca mais foi executado

Um exemplo muito mais recente é o de Doyle Lee Hamm, no Alabama.

Em 2018, as autoridades tentaram executar Hamm por injeção letal. A equipe responsável teve dificuldades para estabelecer um acesso intravenoso, e a tentativa acabou sendo interrompida depois que o procedimento se prolongou por horas.

Hamm sobreviveu à tentativa de execução.

Posteriormente, seus advogados argumentaram que uma nova tentativa o submeteria a dor e sofrimento inconstitucionais. O Alabama acabou chegando a um acordo confidencial com os advogados de Hamm, segundo o qual o estado não tentaria executá-lo novamente.

Hamm permaneceu no corredor da morte até morrer de câncer em 2021.

Romell Broom — execução interrompida, mas o estado tentou novamente

Romell Broom, um condenado à morte em Ohio, sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal em 2009, depois que a equipe passou cerca de duas horas tentando, sem sucesso, estabelecer um acesso intravenoso.

A execução acabou sendo interrompida.

Ao contrário do caso de Hamm, porém, Ohio posteriormente tentou marcar uma nova data para a execução de Broom. Seus advogados contestaram a segunda tentativa, argumentando que submetê-lo a outra execução depois do fracasso da primeira violaria a Constituição.

Broom acabou morrendo na prisão em 2020, antes que o estado pudesse executá-lo.

LEIA MAIS

 

Leia mais sobre...