Crédito / Southern Ohio Regional Jail
Enquanto Elizabeth Siders enfrenta acusações criminais por um dos casos de negligência infantil mais perturbadores de Ohio, seu advogado afirma que a primeira pergunta que ela fez após ser presa foi “reveladora” de seu verdadeiro caráter.
No dia 30 de junho, a polícia fez uma busca em uma casa na zona rural do condado de Vinton, em Ohio, onde encontrou 16 crianças, com idades entre 18 meses e 18 anos, supostamente vivendo em condições que os investigadores descreveram como “deploráveis”.
As autoridades acreditam que mais da metade das crianças passou os quatro anos anteriores confinada em um único cômodo de cerca de 3,6 metros por 3,6 metros.
A suposta negligência ia muito além do espaço apertado. A casa estaria coberta de sujeira e fezes, e o procurador-geral de Ohio, Andy Wilson, afirmou que os anos de negligência deixaram marcas visíveis nas 16 crianças, todas filhas de Elizabeth Siders, que se casou com o pai delas, Gary Siders Jr., quando tinha 15 anos, segundo a Associated Press (AP).
“Eles pareciam quase animais selvagens. Foi terrível”, disse o procurador-geral, segundo a CBS News. O xerife Ryan Cain fez outra avaliação sombria: “Grande parte dos animais da fazenda deles era mantida em condições melhores do que as próprias crianças.”
‘Ficamos horrorizados’
Várias das crianças precisaram de atendimento médico imediato. Duas foram transportadas de helicóptero para centros especializados em trauma após sofrerem o que Wilson descreveu como “graves lesões físicas”, enquanto outras sete foram levadas para hospitais em Columbus, incluindo uma criança que foi internada na UTI e precisou ser intubada.
Os investigadores também afirmaram que várias das crianças tinham dificuldades para se comunicar, enquanto a mais velha, uma jovem de 18 anos, possui deficiência intelectual e não consegue escrever o próprio nome.
“As condições em que essas crianças viviam eram horríveis, e estamos horrorizados com isso. Felizmente, esse capítulo trágico chegou ao fim, mas a recuperação delas levará tempo”, afirmou o xerife do condado de Vinton, Ryan Cain, em um comunicado publicado no Facebook.
Elizabeth, de 33 anos, seu marido Gary, de 36, o pai dele, Gary Siders Sr., de 73, e a mãe dele, Christina Siders, de 77, foram acusados de 16 crimes de colocar crianças em perigo, todos classificados como crimes graves de segundo grau. Os quatro se declararam inocentes e permanecem presos sob fiança fixada em US$ 300 mil.
“Condições que ninguém conseguiria imaginar que seres humanos, muito menos crianças, estivessem vivendo”, disse o procurador-geral durante uma coletiva de imprensa, descrevendo o que viu como “o mal em sua forma mais pura”.
‘Meus filhos estão bem?’
Enquanto a indignação pública com as acusações continua crescendo, o advogado de Elizabeth, Thomas Stolly, contou à AP que ela estava “chorando e exausta” quando ele a encontrou na prisão.
“Na verdade, a primeira pergunta que minha cliente me fez quando entrei na prisão e me apresentei foi sobre os filhos. Ela perguntou se as crianças estavam bem, perguntou se eu sabia onde elas estavam e quando poderia vê-las novamente”, disse Stolly à agência, explicando que Elizabeth não perguntou primeiro sobre o processo criminal.
“Eu achei revelador que a primeira preocupação dela não tenha sido ‘Quando vou sair da prisão?’, mas sim ‘Meus filhos estão bem?'”
‘O mal exige malícia’
Stolly afirmou que suas conversas com Elizabeth também lhe deram uma ideia de como era a rotina da família antes da retirada das crianças.
Segundo o advogado, ela disse que era dona de casa e que todos os seus 16 filhos nasceram em hospitais da região. Ele acrescentou que Elizabeth abandonou os estudos após o 2º ano do ensino médio, enquanto Gary Siders Jr. trabalhava como entregador de alimentos e buscava outro emprego.
À medida que o caso avança, Stolly explicou que a promotoria ainda não entregou as provas à defesa. Até poder analisá-las, ele afirma discordar da descrição feita por Wilson, que classificou a família como “o mal em sua forma mais pura”.
“O mal exige malícia, e eu não vi nenhuma malícia em Elizabeth”, disse Stolly à AP.
Na visão dele, as acusações apontam para algo diferente.
“Acho que este é muito mais um caso de isolamento do que um caso de maldade, e existe uma distinção importante entre essas duas coisas. Porque, se essa é a única realidade que você conhece — e é preciso lembrar que alguém de 15 anos sabe muito pouco sobre ser adulto, ser mãe ou ser esposa — e essa foi a sua visão de mundo pelos últimos 17 ou 18 anos, isso acaba moldando quem você é.”
Stolly afirmou que sua cliente nunca se apresentou como alguém que tivesse sido vítima e que ainda é “cedo demais para determinar exatamente o que aconteceu”.
“Embora as manchetes possam ser sensacionalistas, existe um componente humano muito importante nessa história. Por isso, peço que as pessoas deem tempo para que o processo siga seu curso”, concluiu o advogado.
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