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Pessoas que recorrem à maconha como solução noturna para dormir estão enfrentando novos alertas de especialistas em saúde, já que dados recentes sugerem que os efeitos de longo prazo podem ser mais preocupantes do que muitos imaginam.
Descobertas recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostram que quase 13% dos americanos usaram algum tipo de auxílio para dormir na maioria dos dias ou todos os dias ao longo de um mês em 2024. Entre eles, 3,7% disseram depender de maconha ou produtos com CBD à noite, enquanto 5,2% usam medicamentos prescritos e 5,7% recorrem a opções sem prescrição ou suplementos.
Essa tendência acompanha hábitos mais amplos de uso de cannabis.
Um estudo da Sleep Foundation de 2025 constatou que 77% dos homens e 64% das mulheres entre 21 e 64 anos já usaram cannabis em algum momento para ajudar a dormir, indicando o quanto a substância se incorporou às rotinas modernas de sono.
O apelo é fácil de entender, especialmente para quem lida com estresse ou insônia. A cannabis pode ajudar as pessoas a adormecer mais rápido no curto prazo, mas a questão maior é se esse sono é realmente restaurador — e é aí que começam as preocupações.
Cepas
Os efeitos da cannabis no sono não são iguais para todos, e até defensores reconhecem que os resultados podem variar dependendo da cepa.
Segundo a Sleep Foundation, “cepas indica podem ser mais calmantes e promover sonolência, enquanto cepas sativa costumam ser estimulantes, embora os resultados dependam muito da fisiologia individual”. A organização acrescenta: “cepas híbridas, com mistura de indica e sativa, podem produzir efeitos diferentes com base na composição específica de canabinoides e outros componentes”.
Latência do sono
Mesmo com essas distinções, a ciência sobre o uso a longo prazo apresenta um quadro mais complexo. A Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) aponta pesquisas mostrando que pessoas que usam cannabis regularmente por motivos médicos tendem a acordar mais vezes durante a noite, sugerindo que, embora pegar no sono possa ser mais fácil, manter o sono pode se tornar mais difícil.
Um estudo menor publicado em 2019 no BMJ Open Respiratory Research acompanhou padrões de sono em usuários frequentes de cannabis e não usuários e descobriu que os usuários apresentaram uma “latência do sono significativamente maior”, ou seja, levavam mais tempo para adormecer após deitar. Esse atraso pode prejudicar justamente o motivo pelo qual muitas pessoas recorrem à cannabis.
Os pesquisadores também observaram que usuários de cannabis relataram menos sono REM, uma fase crucial que, segundo a Harvard Health, “ajuda no aprendizado, na regulação do humor e pode até proteger contra a demência”.
Os riscos à saúde vão além da interrupção do sono
O sono é apenas parte do quadro. O uso prolongado de cannabis tem sido associado a uma série de problemas físicos e mentais que aumentam a preocupação entre profissionais de saúde.
De fato, o CDC informa que a cannabis pode aumentar a frequência cardíaca e elevar a pressão arterial, mudanças que podem elevar o risco de AVC, doenças cardíacas e outras condições vasculares. A agência também observa que ela “afeta diretamente o funcionamento do cérebro — especificamente as áreas responsáveis por memória, aprendizado, atenção, tomada de decisões, coordenação, emoções e tempo de reação”.
Fumar a substância é outro problema — pode danificar o tecido pulmonar e prejudicar pequenos vasos sanguíneos, adicionando riscos respiratórios à equação.
Saúde mental
Também há possíveis impactos neurológicos. A substância cinzenta, descrita pela Cleveland Clinic como “uma parte vital do cérebro e da medula espinhal que sustenta o pensamento, o movimento e a memória”, pode ser afetada pelo uso prolongado de cannabis.
Como essa área do cérebro também desempenha um papel na regulação das emoções, as preocupações com a saúde mental tornam o quadro ainda mais complexo. A cannabis tem sido associada a condições como ansiedade, depressão e esquizofrenia, embora o CDC observe que “os cientistas ainda não compreendem totalmente as relações entre esses transtornos mentais e o uso de cannabis”, deixando questões importantes em aberto.
Você consideraria usar cannabis como auxílio para dormir, ou já tentou? Antes de compartilhar essa história com seus amigos, conte para nós sobre sua experiência!
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