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As ações mais recentes da Rússia envolvendo os países bálticos estão gerando preocupação entre especialistas, que acreditam que o Kremlin pode estar revivendo uma estratégia já conhecida.
O ex-conselheiro do Ministério do Interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko, alertou que a retórica recente de Moscou em relação à Latvia, Lituânia e Estônia não deve ser ignorada.
Segundo ele, o Kremlin está se preparando para questionar o que descreve como o tratamento dado às comunidades russófonas nos países bálticos, algo que, na visão dele, segue um padrão já visto antes de conflitos anteriores.
O alerta surge enquanto a Rússia continua exibindo suas capacidades militares, incluindo testes recentes de mísseis promovidos pela mídia estatal e por autoridades próximas ao Kremlin.
Críticos enxergam padrão familiar
Gerashchenko compartilhou suas preocupações no X após surgirem relatos sugerindo que a Rússia pode buscar ações legais internacionais relacionadas aos russófonos que vivem na Latvia, Lituânia e Estônia.
Ele argumentou que Moscou está mais uma vez recorrendo a discursos sobre discriminação, restrições linguísticas e a chamada “russophobia”.
“A retórica de Moscou é padrão e familiar: ‘proibições linguísticas’, ‘russophobia’ e ‘perseguição a dissidentes’”, escreveu Gerashchenko.
Segundo ele, o Kremlin retrata negociações e reclamações internacionais como ineficazes antes de aumentar a pressão por outros meios.
Gerashchenko acredita que o argumento jurídico em si შესაძლოა não seja o verdadeiro objetivo. Em vez disso, o processo ajudaria a criar uma narrativa política que mais tarde poderia ser usada para justificar medidas mais duras.
Comparações com Geórgia e Ucrânia
O ex-ministro apontou as ações da Rússia antes da guerra de 2008 na Geórgia.
Durante anos, Moscou alegou que russos étnicos e comunidades russófonas enfrentavam ameaças em regiões como a Ossétia do Sul e a Abecásia. Mais tarde, a Rússia usou a proteção de cidadãos russos como parte da justificativa para a intervenção militar.
Segundo Gerashchenko, mensagens semelhantes apareceram antes da anexação da Crimeia em 2014 e novamente antes da Rússia lançar sua invasão em grande escala da Ucrânia em 2022.
Ele também destacou uma lei recente assinada por Vladimir Putin.
Segundo relatos, a legislação permite que a Rússia use força militar no exterior para proteger cidadãos russos do que Moscou descreve como perseguição por tribunais cuja autoridade não reconhece.
“Que coincidência impressionante: duas medidas tomadas no mesmo dia — uma ação legal e uma autorização ampliada para o uso da força, formalizadas simultaneamente”, escreveu Gerashchenko.
Países bálticos protegidos pela OTAN
Apesar da preocupação, Latvia, Lituânia e Estônia não estão na mesma posição que países anteriormente alvo de Moscou.
As três nações bálticas fazem parte tanto da OTAN quanto da União Europeia, algo amplamente visto como um forte fator de dissuasão.
Ainda assim, Gerashchenko alertou que o Kremlin pode estar tentando criar incerteza e estabelecer uma disputa prolongada em torno dos direitos das populações russófonas.
“A adesão à OTAN continua sendo o principal fator de dissuasão para Moscou”, escreveu ele.
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