Avó fica permanentemente desfigurada após erro em cirurgia no hospital

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Uma avó australiana entrou no hospital esperando que os médicos removessem uma pequena lesão cancerígena na pele. Em vez disso, uma “falha inacreditável” fez com que ela fosse submetida, por engano, a uma cirurgia destinada a outra paciente, deixando-a permanentemente desfigurada.

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Em 23 de janeiro, Debra Buchanan chegou ao Joan Kirner Women’s and Children’s Hospital esperando retirar uma pequena lesão cancerígena.

Em uma coincidência cruel, outra paciente chamada Deborah aguardava na mesma área de preparação para a cirurgia.

Quando a equipe chamou por “Deborah”, a avó de sete netos respondeu instintivamente.

“Eles chamaram ‘Deborah’, e eu disse: ‘Vocês querem dizer Buchanan?’ Eles responderam: ‘Ah, sim, serve você mesmo'”, contou Buchanan à 9Now Australia. “A mulher ao meu lado disse: ‘Eu sou Deborah’, e eles responderam: ‘Não, estamos com a pessoa certa’.”

Olhando para trás, Buchanan acredita que aquele momento deveria ter despertado preocupação imediata.

“Fui auxiliar de saúde bucal por muitos anos, e você nunca chama um paciente apenas pelo primeiro nome”, explicou.

Mesmo assim, confiando na equipe médica, ela foi levada para a cirurgia.

“O anestesista estava prestes a me sedar, e eu pensei: ‘Cadê o cirurgião? Bem, eles devem saber o que estão fazendo’. Então aceitei.”

Descoberta chocante

Buchanan havia autorizado apenas a remoção de uma lesão na região pélvica. Porém, ao acordar, descobriu que os cirurgiões haviam realizado um procedimento completamente diferente sem seu conhecimento, removendo uma grande parte de sua genitália externa.

Ela só percebeu que algo estava errado quando tentou caminhar até o banheiro.

“Levantei, fui até a porta do banheiro e, assim que entrei, comecei a ter uma hemorragia enorme”, contou.

Ela chamou uma enfermeira imediatamente e perguntou por que estava “sangrando tanto”.

“Mas por que vocês fizeram isso?”

A resposta apenas aumentou sua confusão.

“Ela disse: ‘Isso faz parte da cirurgia’. E eu perguntei: ‘Que cirurgia? Eu tinha o problema aqui’. Quando toquei no local, a lesão ainda estava lá”, explicou Buchanan.

Ao pedir para conversar com o cirurgião responsável, foi atendida por uma médica residente, que lhe disse que havia sido feito um corte “em formato de ferradura” e depois tudo havia sido suturado.

“Mas por que vocês mexeram ali?”, questionou Buchanan sobre sua genitália, que teve partes removidas durante o procedimento, deixando cicatrizes permanentes.

“Ela olhou para mim como se eu estivesse louca”, disse Buchanan, que imediatamente ligou para o marido, Alex.

“‘Não quero que você fique bravo… Eles fizeram a cirurgia errada'”, relembrou Alex sobre a ligação da esposa. “Ela estava sentindo uma dor terrível.”

“Parece que vai rasgar o tempo todo”

Segundo Buchanan, a explicação que recebeu posteriormente apontava a existência de duas pacientes com nomes muito parecidos e a falta de funcionários no hospital.

“Disseram um pouco sobre as duas Debras e também que eles estavam com falta de pessoal na época”, afirmou, acrescentando que as justificativas foram “muito difíceis de ouvir”.

Meses depois, Buchanan diz que continua sofrendo com dores constantes e com as marcas emocionais deixadas pelo erro.

“Ficou tudo tão esticado pelos pontos que parece que vai rasgar a qualquer momento”, disse, acrescentando que a experiência a deixou “apavorada” e “ansiosa”.

“Perdi minha confiança.”

O trauma que veio depois

Quando a advogada Erin Monsalve Fear ouviu o relato de Buchanan pela primeira vez, classificou o caso como “uma falha completa do sistema” e “quase inacreditável”.

“O fato de ela nunca ter sido consultada nem ter dado consentimento adequado para essa cirurgia antes de ela acontecer é um dos aspectos mais graves”, afirmou.

Em entrevista à Australian Broadcasting Corporation (ABC), a advogada explicou que as “medidas de segurança e os protocolos” falharam ou simplesmente não foram seguidos. Por causa disso, Buchanan precisou voltar ao hospital em fevereiro para remover a lesão cancerígena original.

“Depois de tudo isso, ela ficou obviamente apavorada de passar por outra cirurgia”, acrescentou.

Nenhum pedido de desculpas pessoal

Mais de seis meses depois, Buchanan afirma que ainda não conversou com o cirurgião que realizou o procedimento errado e nunca recebeu um pedido de desculpas verdadeiro.

“Na verdade, não. Nenhum pessoalmente”, respondeu quando questionada.

Monsalve Fear acrescentou: “Coloque-se no lugar da Deb. Não ter respostas, acompanhamento ou qualquer esclarecimento por parte do cirurgião que realizou essa cirurgia é simplesmente lamentável.”

“Não é como quebrar uma xícara”

Para Buchanan, falar publicamente não é apenas compartilhar sua história. Ela espera incentivar outras pessoas a denunciarem erros e impedir que outro paciente passe pelo mesmo sofrimento.

“Vocês não podem fazer isso. Não podem cometer esse tipo de erro com uma pessoa. Não é como quebrar uma xícara; é a vida de alguém”, disse.

Ela completou:

“Sei que muitas pessoas têm medo de falar. Eu não tenho. Preciso contar essa história para que isso nunca aconteça com outra pessoa.”

Segundo a ABC, o governo australiano abriu uma investigação sobre o que classificou como um incidente “extraordinário”.

Você consegue imaginar entrar no hospital para um procedimento e acordar descobrindo que os médicos realizaram outro completamente diferente? Conte para nós o que você acha e compartilhe esta história para ampliar esse debate.

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